EXPIRAÇÃO E INSPIRAÇÃO
24 Fevereiro 2012
21 Fevereiro 2012
Práticas sugeridas por professores (de Yoga) para conseguir calma na vida cotidiana
A paz no seu dia a dia
Por: Greice Costa
É uma possibilidade concreta e simples. Não há necessidade de mudar de emprego, de cidade nem de personalidade para ter mais calma e plenitude na vida. Aqui, práticas palpáveis sugeridas pelos nossos professores.
01 Inverter a tendência
Seguindo a mesma linha de pensamento do sábio Patañjali com relação à prática dos preceitos éticos (yamas e niyamas), gostaria de deixar como sugestão a possibilidade que temos de inverter uma tendência assim que ela começar a aparecer na mente do praticante. Ou seja, assim que percebermos que começa a se originar um pensamento que não é compatível com a paz comum, devemos parar e produzir outro pensamento no caminho inverso. Se começamos a sentir raiva de alguém, antes que esse pensamento se instale, procure um pensamento no sentido contrário, algo relacionado com amor ou afeto, se possível com relação à mesma pessoa ou objeto do pensamento ruim. Se estiver difícil, respire profundamente pelo nariz, soltando o ar por um tempo maior que leva para entrar por pelo menos dez vezes. Afinal, lembre-se de que ter raiva de alguém é como tomar o veneno e querer que faça mal ao outro. Se de nove situações conseguirmos modificar uma, já valeu a pena. Como dizia Gandhi: “Seja você a modificação que quer ver no mundo”.
Marcos Rojo, professor de Yoga da USP, Ph.D. em ciência do Yoga, coordenador da pós-graduação em Yoga da FMU e autor do livro Estudos sobre Yoga.
02 Não criar necessidades desnecessárias
Distinguir entre desejo e necessidade – isso minimiza o foco na carência e permite valorizar o que temos – sejam bens materiais, talentos, afetos, companhias e oportunidades para sermos úteis/benéficos a nossos semelhantes. No escopo do Yoga, seria combinar a farinha de aparigraha (desapego) com o leite de santosha (contentamento).
Lia Diskin, escritora, conferencista e cofundadora da Associação Palas Athena.
03 Saber quem você é
Acredito que a única coisa que pode nos dar paz, mas paz verdadeira e duradoura, é sermos capazes de saber quem somos e o que estamos fazendo aqui. O Yoga nos ensina que somos fabricados de paz. Essa paz, em sânscrito, chama-se shantah. Não é um sentimento ou uma emoção, não é aquela sensação de tranquilidade que ora vem, ora vai, e que é substituída pelo seu oposto, o nervosismo ou a tensão. Shantah é Paz com maiúscula, contínua e sólida. Essa paz precisa ser conhecida para ser devidamente apreciada. O caminho para a paz chama-se autoconhecimento. Quando conheço a mim mesmo como paz, nada que aconteça no mundo das dualidades poderá me tirar do centro. Ou, se alguma situação me tirar do centro, volto para ele com rapidez e flexibilidade, como o bambu que se enverga com o vento e que volta a ficar em pé quando este cessa.
Saber a sua vocação
Algo fundamental para vivermos em paz é saber qual é a nossa vocação, para compreender em que lugar e de que maneira nos colocamos na sociedade e no mundo. A paz surge naturalmente e sem esforço em mim quando compreendo que estou fazendo aquilo que cabe, da maneira mais justa e harmoniosa. Se, ao fazer aquilo que nasci para fazer, eu cometer algum equívoco, isso não vai tirar a minha paz, pois sei que estou fazendo o melhor que posso, com atentividade e consciência. A Bhagavad Gita nos ensina que é melhor fracassar cumprindo o próprio dever do que ter sucesso fazendo o dever de outrem. Isso significa que, independentemente dos resultados das minhas ações, fico tranquilo e em paz. Aprender a amar o que se faz, em vez de ficar penando para fazer somente aquilo que se quer, também ajuda a ficar dentro desse estado de tranquilidade.
Mantra e meditação
Uma prática que gosto de fazer para lembrar a paz que sou é cantar mantras. É uma maneira fácil, acessível e rápida de refletir sobre aquilo que somos. Como prática, eles nos dão ampla liberdade de escolha, tanto na forma quanto no tema. Se não souber cantar mantras, não tem problema: escolha uma boa gravação, da qual você goste, dentre as muitas que temos disponíveis hoje, encontre um lugar tranquilo, sente-se ou deite-se em silêncio e apenas ouça, dando a si mesmo o direito de parar. Outra prática que acho essencial é um tipo especial de meditação chamado nididhyasana. Essa meditação consiste em fazer uma reflexão sobre aquilo que se sabe sobre si mesmo. E, isso que se sabe, ou deveria saber-se sobre si, é que eu sou paz. No desespero e estresse do campo de batalha, o príncipe Arjuna pergunta para o deus Krishna como recuperar a paz. Ele está tremendamente deprimido e não consegue lutar. Krishna não lhe dá uma receita para praticar algum respiratório ou postura, mas ensina para o príncipe que ele já é a paz que está buscando ao tentar fugir das suas responsabilidades. Uma vez que Arjuna aprendeu a lição, cabe-lhe praticar o nididhyasana, ou seja, refletir sobre aquilo que sabe sobre si mesmo, enquanto realiza as ações que deve realizar.
Pedro Kupfer, autor e tradutor de vários livros de Yoga e editor do www.yoga.pro.br.
04 Pensar no que está fazendo
Em vários momentos do dia me pergunto: “No que estou pensando?”. Essa pergunta me mantém centrado no momento presente, o único que realmente importa – o passado não existe e o futuro ainda não chegou. Observar minha mente e o que estou pensando me traz muita paz e me faz ver que a vida deve ser desfrutada agora. Não vale a pena viver de recordações ou pensar que o amanhã nos trará felicidade.
O 27
Um exercício para manter a mente centrada no presente é praticar o aqui e agora: contar de 27 a 0 e de 0 a 27 sem permitir que pensamentos entrem. A prática cotidiana desse exercício simples em qualquer momento do dia e em qualquer circunstância trará muita paz e descanso para a mente, que é o que realmente importa.
Gustavo Ponce, autor de livros e DVDs sobre Yoga e fundador do Yoga Shala e do Canal OM, Chile.
05 Reconectar-se com a sua Fonte
Na época em que iniciava no Yoga, muitos anos atrás, deparei-me com uma constituição física definitivamente rígida. Meus isquiotibiais pareciam feitos de aço. Ainda assim, minha alma teimosa escolhia paschimottanasana (postura da pinça) como postura preferida. Tive então um sonho, daqueles muito vívidos que não se esquece jamais. Nele, meu corpo cedia primorosamente, abdome e peito tocavam as coxas, o queixo se aninhava nos joelhos sem nenhum esforço, os braços descansavam serenamente no chão, as mãos seguravam os pés sem tensão e eu respirava tranquilamente ao mesmo tempo que uma paz imensa e prazerosa invadia o meu coração. Acordei extasiada pelo potencial de paz anunciado naquela visão. Sonhos muito intensos perduram na alma, e fui levada a encará-lo como premonição: acreditei que algum dia chegaria exatamente a esse estado e assim continuei caminhando. À medida que o sonho perdia força, eu mergulhava em um paciente aprendizado de reconexão à Fonte, com muitos tropeços, bons e maus momentos, dúvidas e questionamentos, progressos e retrocessos. A rigidez parecia instalada inabalavelmente no meu corpo, ao passo que os ensinamentos recebidos – e foram muitos os mestres - começavam a levar luz ao meu pensamento e às minhas atitudes. E nesse processo surgiram ocasiões em que, em um vislumbre, fui capaz de compreender que era preciso agarrar o momento presente, que é eterno, para dele extrair a potência de novos caminhos.Compreendi que era a minha alma que resistia e que se fechava.
A visão daquele sonho nunca me abandonou, porém esmaeceu; não lhe dei mais muita atenção. Não sei mais como e quando; foi um dia desses: paschimottanasana deixou de ser um desafio para tornar-se um dos melhores momentos do meu cotidiano. O corpo cedeu. Mesmo uma prática breve invariavelmente inclui a postura que ressuscitou o sonho de paz. Descubro e redescubro, em um obstinado exercício diário, que estar inserido no aqui e no agora é a chave para o acesso ao Todo do qual somos, cada um de nós, uma partícula. Essa inserção nos lança, por brevíssimos instantes, para fora da dimensão espaço e tempo, e ali, em um relance, compreendemos o que pode vir a tornar-se genuína compaixão, e também o que os velhos gregos chamavam de saúde: o equilíbrio entre o sentir-se bem e o abrirse para o mundo exterior. Como dizem os budistas: que todos os seres sejam felizes.
Lucia Ehlers, professora de filosofia yóguica, estudante de filosofia clássica.
06 Colocar o sagrado no cotidiano
Fique de frente a um altar na sua casa que tenha imagens ou símbolos, velas, incensos, flores e frutas e peça com devoção que essa força maior ilumine seu dia, seu caminho, que proteja seu coração e sua mente e que traga inspiração para que seu dia seja cheio de boas atitudes e bons pensamentos. Assim que chegar da rua, volte lá no seu altar e agradeça por mais um dia. Este é um hábito que tenho há alguns anos e acho que dessa forma é possível cultivar a paz no seu coração.
Kathy Lobos, professora de Vinyasa Flow.
07 Usar a memória celular
A língua sânscrita é mântrica, ou seja, cada palavra carrega em si um forte poder em sua vibração. Sempre que lembrar, coloque a atenção no presente, inspire profundamente, observando o ar entrando e saindo de suas narinas e aquiete-se. Por alguns instantes, mentalize a palavra mantra shanti (paz) com a intenção de que cada uma das suas células vibrem em sintonia com o poder da paz. Seguindo o ciclo kármico descrito nos Vedas, toda ação gera em nossas células uma memória que com o tempo gera o desejo de repetir a ação. Conforme as células vibram em sintonia com o poder da paz, vamos aos poucos sentindo o desejo de agir, falar, pensar em paz, e aos poucos nos tornamos a própria PAZ.
Márcia De Luca, autora de livros e DVDs sobre Yoga e Ayurveda e fundadora do Ciymam, São Paulo.
08 Lembrar que só o eterno é urgente
• Não atender ao telefone durante as refeições.
• Não ter raiva de ninguém por mais de dez minutos.
• “Andar mais descalço e ver mais pôres do sol”, como dizia Borges.
• Ouvir mantras no carro na hora do rush.
• Achar tempo para cultivar as amizades, principalmente nas cidades grandes, onde tudo parece pedir o fim das amizades pela ditadura do trabalho.
• Ter filhos, mesmo que há anos você acredite que ainda não é a hora. Eles nos colocam no presente, ensinam o que é ser generoso e o que é a compaixão, mostram quais devem ser nossas prioridades e nos tiram do sério!
• Ler sempre um pouco de Clarice Lispector, Tagore, Françoise Dolto ou da Bhagavad Gita, mesmo com sono.
• Respirar fundo e tentar se colocar no lugar do outro.
• Achar uma hora para fazer a receita que aquela amiga te passou.
• Ter sempre em mente que “nada é urgente, a não ser o eterno”.
Porém, acredito que mesmo adotando tais atitudes em busca da paz diária, nosso esforço ainda não é suficiente. Esse esforço precisa ser baseado no autoconhecimento. E é a disciplina a chave.
“Ser inerte é fácil, ser ativo requer um esforço tremendo”, diz meu mestre B. K. S. Iyengar.
Rosana Seligmann, coordenadora do Centro de Iyengar Yoga São Paulo.
*Matéria publicada originalmente na YJ #28
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19 Fevereiro 2012
"FELIZ SÓ SERÁ..."
Feliz só será
A alma que amar.
'Star alegre
E triste,
Perder-se a pensar,
Desejar
E recear
Suspensa em penar,
Saltar de prazer,
De aflição morrer —
Feliz só será
A alma que amar.
GOETHE
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12 Fevereiro 2012
... um belo poema sempre leva a Deus!
Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
- muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,
não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições…
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,
Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!
Porque a poesia purifica a alma
… a um belo poema – ainda que de Deus se aparte -
um belo poema sempre leva a Deus!
Mário Quintana
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06 Fevereiro 2012
O SENTIDO DA VIDA
A vida é uma oportunidade
para que se dê sentido a ela.
O sentido da vida não tem que ser descoberto:
ele tem que ser criado.
Você achará sentido na vida
somente se você criá-lo.
Ele não está escondido atrás de arbustos,
de forma que você possa ir,
procurar um pouco e achá-lo.
Ele não está lá fora,
como uma rocha, para ser achado.
Ele é um poema a ser composto,
é uma canção a ser entoada,
uma dança a ser dançada.
O sentido da vida é a dança,
não a rocha.
É a música.
Você o achará somente se criá-lo.
Lembre-se disso.
Osho
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28 Janeiro 2012
15 Janeiro 2012
UMA LENDA HINDU...
Fonte: http://tudodeom.blogspot.com/
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12 Janeiro 2012
09 Janeiro 2012
A IDADE DE SER FELIZ
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-los
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.
Uma só idade
para a gente se encantar com a vida
e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo nem culpa de sentir prazer.
Fase dourada
em que a gente pode criar e recriar a vida
à nossa própria imagem e semelhança
e vestir-se com todas as cores
e experimentar todos os sabores
e entregar-se a todos os amores
sem preconceito nem pudor.
Tempo de entusiasmo e coragem
em que todo desafio
é mais um convite à luta
que a gente enfrenta com toda disposição de tentar
algo NOVO, de NOVO e de NOVO,
e quantas vezes for preciso.
Essa idade
tão fugaz na vida da gente
chama-se PRESENTE
e tem a duração do instante que passa.
Mário Quintana
Mário Quintana
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08 Janeiro 2012
FORÇA INTERIOR
"Aquele que sabe muito sobre os outros pode ser instruído,
mas aquele que se compreende é mais inteligente.
Aquele que controla os outros pode ser forte,
mas aquele que se domina é ainda mais poderoso."
Tao Te King
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05 Janeiro 2012
"O AUTO-RETRATO"
No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...
às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...
e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,
no final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!
Mário Quintana
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POESIA
31 Dezembro 2011
RECOMEÇAR...
Bendito quem inventou
o belo truque do calendário,
pois o bom da segunda-feira,
do dia 1º do mês
e de cada Ano Novo
é que nos dão a impressão
de que a vida não continua,
mas apenas recomeça...
Mário Quintana
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18 Dezembro 2011
BE YOURSELF
'Yoga teaches us to cure what need not be endured
and endure what cannot be cured.'
O Yoga nos ensina a curar o que não precisa ser surportado
e a suportar o que não pode ser curado.
B. S. K. Iyengar
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04 Dezembro 2011
“SE É BOM OU SE É MAU...”
Por Rubem Alves
Quando eu contava estórias para a minha filha – ela era bem pequena ainda – tinha uma pergunta que ela sempre me fazia: “Esta estória aconteceu de verdade?” Eu não tinha jeito de responder.
Se fosse o Peter Pan, adulto, tal como aparece Hook – A volta do Capitão Gancho, eu diria logo que era só uma mentirinha sem importância que eu estava inventando para que ela dormisse logo e eu pudesse voltar a me ocupar das coisas importantes do mundo real do dinheiro, da política, do trabalho, das rotinas da casa. Diria a ela que o livro que me importava, aquele que eu realmente lia, livro de cabeceira, era a agenda de capa verde. Nas suas páginas se escrevia a realidade. Mas ela era muito criança - com o tempo cresceria e aprenderia a ler a literatura do real que só pode ser lida nas agendas. Por enquanto, ela podia se entregar as palavras mentirosas das estórias, só para que o sono viesse mais depressa...
Mas eu não era o Peter Pan adulto e o que eu tinha para dizer, pois achava complicado demais para a cabecinha dela. O que eu gostaria de dizer a ela e não disse é que as estórias que eu contava não aconteceram nunca para que acontecessem sempre. A TERRA DO NUNCA é a TERRA DO SEMPRE, que existe eternamente dentro da gente. Já o que aconteceu de fato, documentado, fotografado, comprovado pela ciência e escrito com o nome de História – isso aconteceu do lado de fora da gente e, por isso, não acontece nunca mais. Está morto e enterrado no passado, e não há feitiço que faça ressuscitar. Mas aquilo que não aconteceu nunca, aquilo que só foi sonhado, é aquilo que sempre existiu e que sempre existirá, que nem nasceu e nem morrerá, e a cada vez que se conta acontece de novo...
Se ela me tivesse feito a pergunta de um jeito diferente, se me tivesse perguntado se acreditava na estória, ah!, eu teria respondido fácil: “Mas é claro que acredito!” Pois eu só acredito no que não aconteceu nunca, no que é sonho, pois os sonhos, é disto que somos feitos.
A estória da Branca de neve não aconteceu nunca – mas todos nós somos sempre, uma madrasta que se vê triste diante do espelho e manda a menina, nós também, para ser morta na floresta. A estória de João e Maria não aconteceu nunca, mas em toda a criança existe a fantasia terrível do abandono. A estória de Romeu e Julieta não aconteceu nunca, mas queremos ouvi-la de novo, pois dentro de nós existe o sonho do amor puro, belo e imortal. E é por isso que sou incuravelmente religioso, porque nas estórias da religião, que não aconteceram nunca, os sonhos e pesadelos da alma se acham refletidos. Acredito porque sei que são mentiras. Se fossem verdades, não me interessariam.
As estórias são contadas como espelhos, para que a gente se descubra nelas. Os orientais são os grandes mestres nesta arte, esquecida dos ocidentais porque cresceram, como o Peter Pan do filme Hook, e passaram a acreditar somente naquilo que a agenda conta, sem perceber que, porque ela diz a verdade, mente.
Quero contar para vocês a estória que mais tenho contado – não aconteceu nunca, acontece sempre. Um homem muito rico, ao morrer, deixou suas terras para os seus filhos. Todos eles receberam terras férteis e belas, com a exceção do mais novo, para quem sobrou um charco inútil para a agricultura. Seus amigos se entristeceram com isso e o visitaram, lamentando a injustiça que lhe havia sido feita. Mas ele só lhes disse uma coisa: “Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá”. No ano seguinte, uma seca terrível se abateu sobre o país, e as terras dos seus irmãos foram devastadas: as fontes secaram, os pastos ficaram esturricados, o gado morreu. Mas o charco do irmão mais novo se transformou num oásis fértil e belo. Ele ficou rico e comprou um lindo cavalo branco por um preço altíssimo. Seus amigos organizaram uma festa porque coisa tão maravilhosa lhe tinha acontecido. Mas dele só ouviram uma coisa: “Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá.” No dia seguinte seu cavalo de raça fugiu e foi grande a tristeza. Seus amigos vieram e lamentaram o acontecido. Mas o que o homem lhes disse foi: “Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá.” Passados dez dias o cavalo voltou trazendo dez lindos cavalos selvagens. Vieram os amigos para celebrar esta nova riqueza, mas o que ouviram foram as palavras de sempre: “ Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá.” No dia seguinte, o seu filho, sem juízo, montou um cavalo selvagem, O cavalo corcoveou e o lançou longe. O moço quebrou uma perna. Voltaram os amigos para lamentar a desgraça. “Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá”, o pai repetiu. Passados poucos dias vieram os soldados do rei para levar os jovens para a guerra. Todos os moços tiveram de partir, menos o seu filho de perna quebrada. Os amigos se alegraram e vieram festejar. O pai viu tudo e só disse uma coisa: “ Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá...”
Assim termina a estória, sem um fim, com reticências... Ela poderá ser continuada, indefinidamente. E ao contá-la é como se contasse a estória de minha vida. Tanto os meus fracassos quanto as minhas vitórias duraram pouco. Não há nenhuma vitória profissional ou amorosa que garanta que a vida finalmente se arranjou e nenhuma derrota que seja uma condenação final. As vitórias se desfazem como castelos de areia atingidos pelas ondas, e as derrotas se transformam em momentos que prenunciam um começo novo. Enquanto a morte não nos tocar, pois só ela é definitiva, a sabedoria nos diz que vivemos sempre à mercê do imprevisível dos acidentes.
“SE É BOM OU SE É MAU, SÓ O FUTURO DIRÁ”
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PARA CONTEMPLAR,
RUBEM ALVES
A HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO DA ÍNDIA

Uma boa e verdadeira história vale a pena ser contada.
por Glória Arieira
Ao entrar em contato com o vasto conhecimento dos Vedas, nos deparamos constantemente com a tentativa de marcar datas para a história da cultura e da população indiana, entender sua origem genética e determinar a antiguidade e portanto, a originalidade do conteúdo dos Vedas.
Max Müller, na primeira metade do século XIX, e outros estudiosos europeus difundem a teoria da invasão ariana, povo originado da Europa e/ou Ásia Central que entra na Índia pelo noroeste do país. Essa teoria, que rouba o valor, a originalidade e a antiguidade dos Vedas, viria a ser aceita como verdadeira, mesmo por estudiosos indianos, até recentemente, muito após a independência da Índia em 1947.
Ela afirma que 1500 anos antes da era cristã, pastores nômades semi-bárbaros, vindos da Ásia Central ou Norte da Europa, cuja língua é indo-européia, chamados arianos, vieram para o continente indiano. Ao chegar ao vale do rio Indus encontraram uma civilização muito antiga cujos habitantes eram os dravidianos. Os arianos invasores atacaram e destruíram esta civilização. Este povo fugiu para o Sul da Índia. Foram estes arianos que compuseram os Vedas em sânscrito e desenvolveram a grande civilização ao redor do rio Ganges.
Esta teoria foi estabelecendo como verdadeira pela urgente necessidade dos britânicos de eliminar o valor pela cultura do país que queriam dominar e extrair todas as riquezas materiais que lá haviam. Tiveram que diminuir e até eliminar o valor da civilização védica e assim fizeram através de uma bem programada e sistemática campanha que menosprezou a cultura, a civilização e a sociedade védicas, incluindo suas origens, como podemos ver em filmes, livros e relatos históricos.
Apesar de muitos relatos de admiração e profunda apreciação, de gregos antigos a modernos europeus, pela Índia, por seu povo e civilização, durante a colonização britânica muito se falou sobre o “primitivismo do hinduísmo” em contraste com “a verdadeira religião cristã”.
Infelizmente, ao mesmo tempo, estudiosos autodidatas europeus adquiriram o conhecimento do sânscrito e não entendendo o que liam, contribuíram para denegrir a imagem da Índia e de sua rica e profunda cultura e conhecimento.
Max Müller, que nunca foi à Índia, escreve que a literatura antiga indiana não tem mais valor do que fábulas e canções e tradições de nações selvagens. Depois de tentar entender os Vedas em vão, declara: “o que pode ser mais tedioso do que o Veda? Seus hinos não fazem qualquer sentido!”
Seus estudos e traduções dos Vedas não têm valor de autenticidade, porém até hoje são autoridades para o mundo ocidental!
Foram os europeus que criaram divisões na sociedade da Índia e incentivaram o conflito entre castas. Sabiam que dividindo o povo seria mais fácil governar e mesmo converter. Tal incentivo criou uma divisão entre o Sul, a dita raça dravidiana, e o Norte ariano, o que criou muitos conflitos inclusive preconceito contra o próprio Veda que seria ariano. Com essa confusão foi mais fácil converter o povo ao cristianismo.
Não se pode deixar de citar o inglês Thomas B. Macauly que afirmou que o hinduísmo derivou-se de “uma literatura reconhecida como de pouco valor intrínseco… com erros sérios em todos os assuntos importantes…. desprovido de razão, de moral… de superstições monstruosas.”
Se analisarmos arqueologicamente, temos como plataforma a civilização de Mohenjo-daro e Harappa no vale do rio Indus. Arqueólogos como o francês Jean-François Jarrige, dataram o estabelecimento desta civilização em 6000 A.C. Descrevem o desenvolvimento urbano encontrado como muito sofisticado e só conhecido na Europa 2000 anos mais tarde.Não há qualquer evidência de guerra que possa ter aniquilado esta civilização, como a invasão de arianos. Há evidências de que o rio Sarasvati mudou seu curso várias vezes devido a inundações e o sítio sofreu com terremotos, além da seca que tomou conta da Ásia a oeste e ao sul.
Entre 2000-1900 A.C. o rio finalmente secou. Porém, é interessante saber que nesta área, o deserto do Rajastão, há água a 50 ou 60 metros abaixo do leito seco do rio. O Central Arid Zone Research Institute, Jodhpur, mapeou o rio Sarasvati com imagens de satélites e fotografias aéreas e pesquisas de campo.
Existem hoje outros argumentos contra o mito da invasão ariana. Estudiosos afirmam que não existe raça ariana e muito menos dravidiana. Considera-se raça em sentido geográfico ou agrupamentos de tipos humanos, como asiáticos, europeus e africanos. Arqueólogos biólogos tendo analisado os esqueletos dos sítios de Harappa e Mohenjo-daro afirmam não haver características biológicas específicas para a afirmação de um tipo diferente chamado ariano ou dravidiano.
Em 2006, numa Conferência na Universidade de Massachusetts, Estados Unidos, estudiosos informam sobre pesquisas arqueológicas e astronômicas que concluem que a civilização indiana e sua população é indígena. Afirmam ainda que o povo original do subcontinente indiano e sua cultura seriam muito possivelmente a origem genética, lingüística e cultural da maior parte do mundo.
O Dr. V.K. Kashyap, do National Institute of Biologicals, Índia, afirma na mesma conferência que não há qualquer evidência genética de invasão de um povo indu-ariano na Índia.
Quanto à língua sânscrita ter se originado numa língua chamada Indo-européia, não há evidência da existência desta língua tão pouco de um lugar onde determinado povo que falasse tal língua estivesse estabelecido. Aliás, o estudioso Koenraad Elst defende a idéia de que é da Índia que originaram tantas outras línguas por volta de 6000 A.C. Além disso as línguas chamadas dravidianas, Tamil, Telugu e Mallayalam, têm forte conexões com o sânscrito, e estão mais ligadas a ele do que outras línguas chamadas indo-européias, como o eslavo, o báltico, itálico, germano, celta e línguas derivadas dessas.
Encontramos nos Vedas cálculos matemáticos precisos como de solstícios e equinócios por volta de 8500 A.C., o que faz com que a data do Veda seja anterior. Le Gentil, astrônomo francês que viveu muitos anos na Índia, reconhece que o fabuloso conhecimento indiano não existia em nenhum outro lugar, nem na China, nem no Egito antigo. Hoje é sabido que são da Índia a invenção do sistema decimal, dos números chamados arábicos e o conceito do zero.
Os sábios antigos do Rig Veda sabiam que a distância entre o Sol e a Terra é por volta de 108 vezes o diâmetro do Sol; conheciam o período dos 5 planetas (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno) e já haviam determinado o ano solar em 365 e 366 dias, milhares de anos antes desse conhecimento aparecer no Egito, na Babilônia ou na Grécia.
Podemos concluir que a teoria de que a civilização indiana tem origem fora da Índia é falsa. Interesses políticos e econômicos levaram à criação de tal doutrina apresentada como certa e indiscutível, e que só se sustentou enquanto não foi questionada e analisada.
A Índia é o berço da mais antiga tradição que se tem conhecimento, e o que é mais incrível, esta tradição em todo seu esplendor está viva até hoje e faz referência a todas as áreas do saber humano. Esta tradição tem sido mantida por mais de 6000 anos através de uma complexa e rica tradição oral, de uma geração a outra, até os nossos dias. Por isso, é adequado o termo “Bharata M€t€”, mãe Índia, pois sua cultura e língua são anteriores a de todas as outras civilizações que se têm conhecimento hoje. O conhecimento da Índia é imenso, profundo e envolve todas as áreas da vida humana. O fato de que tem sido preservado até hoje denuncia uma riqueza intrínseca a ele e eterna atualidade, pois sabemos que o ser humano não gasta seu tempo protegendo o que não lhe é útil. Através do tempo e em todo o continente indiano há uma mesma cultura que carrega um grande tesouro que é ao mesmo tempo secreto, pois só se revela àqueles que a procuram e reverenciam.
A cultura védica não é um somatório de partes, sejam elas geograficamente distantes, ou aparentemente diferente nas várias formas religiosas, artístico-culturais, lingüística, relacionada à alimentação ou vestiário. Todas essas expressões são derivadas de um único Veda que revela uma verdade única que é sua alma transcendental, apesar da relativa diferença nas formas. O espírito védico continua vivo e continuará apesar das mudanças que o mundo moderno pode produzir na expressão de sua forma, pois ele existe além da forma.
O antigo espírito védico, o Sanatana Dharma, está vivo no coração dos milhões que ainda hoje se dedicam a mergulhar em sua riqueza e desvelar seus segredos.
Mais do que demarcar datas e local para a tradição védica seremos abençoados ao mergulharmos em sua tradição oral viva e vislumbrarmos sua riqueza ilimitada, a afirmação desvelada de que a verdade única, absoluta e imortal, é a natureza essencial do ser humano e de todo o universo.
*Vedanta: é o conhecimento contido no final dos Vedas, os textos chamados as Upanishads.
Outros textos de Vedanta são a Bhagavadgita, o Brahmasutra e os Prakaranagranthas (textos vários explorando temas de estudo de Vedanta escrito por diferentes mestres ao longo do tempo).
Vedanta analisa a natureza do Ser essencial através de seu método: o escutar, do mestre, as palavras de ensinamento, a reflexão sobre o que foi escutado e a contemplação sobre o que foi escutado e refletido.
Em Vedanta a meditação é concomitante ao estudo. Não tem função independente dele. Algumas meditações preparam a mente do estudante. Outras são contemplações do Ser Absoluto.
**Sânscrito: é a língua na qual se encontram escritos os textos de Vedanta. Pertence à grande família de línguas indo-européia, como o grego e o latim, de onde derivaram a maior parte das línguas ocidentais modernas. Possui uma estrutura bastante elaborada como indica seu próprio nome (sams - bem; krtam - feita) e baseia-se num sistema de derivação no qual as palavras são formadas a partir de um conjunto de cerca de 2.200 elementos básicos, chamados raízes, seguindo regras muito bem estabelecidas.
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27 Novembro 2011
O PRAZER DE LER...
Achei simples e fascinante este pequeno texto sobre o prazer e o alcance da leitura. ;)
O prazer de ler é resultado de estímulos constantes, que aos poucos se torna uma questão de gosto, de escolha pessoal, de atitude.
Para chegar a essa escolha é necessário ter acesso ao livro, depois vem o entendimento de que se trata de uma janela por onde acessamos séculos de conhecimento; é brinquedo que não acaba, é viajar sem sair do lugar, é o mundo na ponta dos dedos que se descortina em um virar de página.
Ler, entender, refletir, escrever, transformar. O livro é o passaporte para o autoconhecimento, para aprender a ler o mundo, viabiliza conquistas individuais e coletivas, inspira transformações, dá voz as ideias.
Programa Ler é Preciso - Ed. Nova Cultural.
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EDUCAÇÃO E CULTURA
23 Novembro 2011
VLADIMIR KUSH
As imagens são obras do pintor surrealista russo Vladimir Kush!
M A R A V I L H O S A S !!!
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ARTE E CRIATIVIDADE
10 Novembro 2011
MEU SOBRINHO ESTÁ PARTICIPANDO: PRECISO DA AJUDA DE VCS!!!
Olá leitores e amigos,
O meu sobrinho Davi está participando da Promoção da Hipoglos, para ser o novo rostinho do Hipoglos Amêndoas.
Basta acessar o link abaixo e votar.
Agradeço desde já pela colaboração e carinho!!!
bjo,
Marcia Zen
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FAMÍLIA
09 Novembro 2011
"O CASAMENTO DE JENNIFER"
Trata-se de uma piadinha, mas nada como rir do nosso lado anjo e demônio.O CASAMENTO DE JENNIFER
"O casamento de Jennifer se aproximava rapidamente.
Nada diminuía sua alegria. Nem mesmo o divórcio complicado de seus pais.
Sua mãe encontrara o vestido perfeito para usar e seria a mais bem vestida mãe de noiva jamais vista!
Uma semana depois, Jennifer soube, horrorizada, que a nova e jovem mulher de seu pai tinha comprado o mesmo vestido de sua mãe. Jennifer lhe pediu para trocá-lo, mas ela se recusou:
“De modo algum, eu fico linda nesse vestido e vou usá-lo.”, foi a resposta da moça.
Jennifer contou para a mãe que ouviu a notícia muito tranquila:
"Não se incomode, filha, eu compro outro vestido. Afinal, é o seu dia."
Alguns dias depois as duas saíram para as compras e a mãe comprou outro lindo vestido.
Quando pararam para almoçar a moça perguntou:
“Mãe, você não vai trocar aquele vestido? Você não tem mesmo outra ocasião para usá-lo.”
A mãe sorriu e respondeu:
“Claro que tenho, querida... Vou usá-lo no jantar do ensaio na noite anterior à cerimônia.”
... Nós mulheres somos anjos.
Mas quando alguém quebra nossas asas, simplesmente continuamos a voar numa vassoura...
Um brinde às mulheres maduras e inteligentes.
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PARA PENSAR,
PARA RIR
07 Novembro 2011
"Troque os pequenos erros pelos pequenos acertos.
E com o passar do tempo isso se transformará
numa grande onda de prosperidade na sua vida."
(autor desconhecido)
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PARA PENSAR
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